Brasil cria protocolo para conectar pequenos negócios ao comércio com uso de IA

06/08/2026
WhatsApp
Facebook
LinkedIn
X

A inteligência artificial vem mudando a forma como os consumidores pesquisam, escolhem e compram produtos e serviços na internet. Para que os pequenos negócios acompanhem esse movimento, o Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) desenvolvem o Brazilian Commerce Protocol (BCP), protocolo brasileiro capaz de conectar micro e pequenas empresas à nova geração do comércio digital.

A ideia é montar uma infraestrutura nacional, aberta, neutra e integrada, capaz de organizar e disponibilizar informações de produtos e empresas em um padrão que possa ser aproveitado por marketplaces, varejistas, plataformas logísticas e agentes de IA.

Na prática, o empreendedor poderá criar e atualizar seu catálogo digital conversando com um agente de inteligência artificial em canais que já utiliza, como WhatsApp e Telegram. Ao enviar fotos e responder a perguntas simples, a IA organiza as informações, estrutura o catálogo e deixa os produtos disponíveis para diferentes canais digitais, sem exigir vários cadastros ou conhecimento técnico.

O Sebrae participa levando ao projeto as necessidades reais dos pequenos negócios e ajudando a garantir que a tecnologia seja desenvolvida de forma acessível, prática e adequada à realidade das micro e pequenas empresas.

“A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, explica o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida.

O projeto integra o ecossistema AI Brasil, que reúne conteúdo, comunidade e experiências para democratizar o uso da inteligência artificial no país. Na parceria, o CEIA/UFG contribui com a pesquisa e a construção tecnológica, enquanto o AI Brasil articula a conexão com o mercado, empresas e especialistas, apoiando a adoção e a disseminação do protocolo.

Segundo Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG e atual vice-presidente do IA Brasil, o protocolo brasileiro nasce compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado em janeiro de 2026 por um consórcio liderado por Google e Shopify, com a participação de grandes varejistas e de redes de pagamento globais.

“O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios, assegurando que o Brasil não apenas acompanhe esse movimento, mas participe dele com uma solução própria, aberta e neutra”, ressalta Soares.

Além de beneficiar os empreendedores, o protocolo representa uma oportunidade para as grandes plataformas de comércio eletrônico, segundo o analista do Sebrae Nacional. “O protocolo também pode reduzir custos de integração, estimular novos modelos de negócio e criar um ambiente mais aberto para o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial”, pontua Almeida. Para ele, quanto mais empresas e plataformas estiverem conectadas, maior será o potencial de geração de negócios para todos.

A versão preliminar da infraestrutura do BCP foi apresentada durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo. A expectativa é que o protocolo entre em operação até o fim do ano, com pilotos em cidades e setores específicos, começando pelo nicho do vestuário.

“Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o BCP busca democratizar o acesso à tecnologia e organizar o comércio informal que já ocorre em canais de mensagem, mas de forma desestruturada”, finaliza Soares.


Fonte: Com informações de Agência Sebrae